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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

PechaKuchaNights

Já pode ser vista AQUI, a apresentação sobre a Residência Artistica Encosta, que fiz em Torres Vedras juntamente com o antónio Procópio. Esta apresentação foi feita nas sessões da PechaKucha Nights em Aveiro, que têm como objetivo dar a conhecer projetos criativos feitos por pessoas da cidade em que se realiza :)






terça-feira, 28 de maio de 2019

Apresentação no PechaKucha Night #3







Esta quarta feira dia 29 farei uma apresentação no PechaKucha Night #3 em Aveiro, o tema será sobre uma residência artística que fiz em Torres Vedras e como o desenho pode ser um veículo para o conhecimento da realidade. Apareçam, é às 21:21 em ponto no salão Hairtz! :)

LINK para o evento





Desenhar para conhecer


Desenho para conhecer e levar comigo as coisas e lugares de que gosto, recordar experiências e eternizar aqueles momentos que quero guardar para sempre. Mas é também uma forma de fazer aproximar pessoas e de as conhecer, o desenho quebra barreiras e deixam-nos entrar em suas "casas". No âmbito de um projeto de regeneração urbana em Torres Vedras denominado "Encosta", esta abordagem foi incorporada num conjunto de iniciativas que visam captar através de testemunhos e imagens, a realidade física e social que caracteriza a identidade daquele local. A recetividade foi surpreendente...

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Residência Artística em Torres Vedras - dia V



Não se via ninguém na rua com quem meter conversa, tenho algum receio de bater a portas fechadas pois não sei se serão tão recetivas. Fiquei a desenhar esta casa ao fundo da rua. Estava quase a acabar o desenho quando vejo uma senhora a sair para regar as plantas. Dirigi-me a ela e iniciou-se um diálogo. Convidou-me a entrar e fiquei umas três horas a falar com a Sra. Ilda, vivia sozinha e soube-lhe muito bem ter alguém com quem conversar  e  a quem contar todos os seus prolemas.



Durante parte da manhã não encontrei ninguém com quem falar e desenhar, por isso algumas vezes também desenhei algumas zonas a serem intervencionadas, a Cruz das almas foi uma delas.



Lá em cima, o miradouro da Meia Laranja.



Este desenho já foi feito no dia do encontro de desenho. Tinham-me falado da Sra Maria José que era a pessoa mais antiga ali do sítio, e finalmente pude encontra-la. Foi na loja do Sr. Cuxixo ainda houve tempo para desenhar a sua amiga Maria da Soledade e o pequeno Filipe.

Residência Artística em Torres Vedras - dia IV



Fomos até ao Bairro da Floresta fazer uma prospeção. Não se via ninguém na rua e entretive-me a desenhar as mais variadas caixas de correio que se encontravam.


Finalmente encontramos alguém, não nos deu muita conversa mas aceitou ser desenhada. Nesta zona do bairro não se sente tanto o espirito comunitário e o ambiente de vizinhança.



O Sr. Augusto foi uma das pessoas que fez questão de estar presente na apresentação da residência artística. Ele é o retrato das pessoas que ali vivem, idoso, com dificuldade de mobilidade, dependente de alguém que o leve a algum lado pois os autocarros deixaram de ali passar.



Residência Artística em Torres Vedras - dia III





Tinha de desenhar esta vista, por mais que goste de desenhar pessoas adoro esta confusão de cabos elétricos :)



Disseram-nos que devíamos falar com a Dona Francelina pois é das pessoas mais antigas do bairro Reis. A Dona Francelina vive mesmo por cima do Antigo matadouro. Convidou-me a entrar na sua casa e ficámos a conversar sobre a sua vida. Mostrou-me um retrato de muito jovem "vê como eu era bonita?"

Residência Artística em Torres Vedras - dia II



A Dona Aurora era muito comunicativa e sempre que nos encontrava contava-nos coisas. Fomos finalmente desenha-la a sua casa, estava prometido.



A Dona Domingas ficou um bocadinho desconfiada quando lhe perguntei se a podia desenhar, foi uma neta que a convenceu a estar um bocadinho comigo e a conversar. Mostrei-lhe alguns desenhos que já tinha feito e reconheceu o Sr. Mineiro, o primeiro desenho que tinha feito e que não saíra nada bem "parece uma casca de cebola" disse ela a rir-se. Contou-me da sua vida e das plantas que a rodeavam. Ali no Bairro Reis toda a gente se esmerava por ter uma bonita e florida entrada, era uma questão de esmero. Enquanto falávamos remendava umas meias. A Dona Domingas também teve presente na apresentação com a sua neta.



Ao pé das suas floridas entradas estas duas vizinhas conversaram um pouco comigo. A Dona Joana contou-me esta história curiosa de que os filhos às vezes entravam no matadouro à noite e desatavam os animais que fugiam mal se abriam as portas de manhã. No dia anterior tinha ouvido o Bruno a contar a história de que os animais às vezes fugiam do matadouro mal se abriam as portas e agora a história fazia sentido :).



O Sr. Francisco Vicente foi das pessoas mais surpreendentes que conhecemos. Foi por acaso, o António estava a desenhar a escadaria que dava para a sua porta e ele aparece na rua a dizer que é a sua porta  e se não queríamos entrar para conhecer os seus troféus, pois era um competidor olímpico! Ficámos na expetativa do que íamos encontrar e seguimo-lo. Nada fazia prever que íamos encontrar uma sala repleta até ao teto de troféus e medalhas!



Residência Artística em Torres Vedras - dia I

Em 2017 tive o prazer de participar numa residência artística a convite do André Duarte Batista e da Câmara Municipal de Torres Vedras, onde durante 5 dias tivemos a oportunidade de registar nos nossos cadernos a realidade física e social da Encosta de São Vicente. 
A residência esteve integrada num conjunto de ações que visavam documentar através de imagens e testemunhos a realidade deste local que iria ser palco de uma profunda regeneração urbana, tendo em vista a reabilitação de muitos dos locais, habitacionais e sociais e por outro lado, promover a inclusão social através da arte, reforçando a auto estima da comunidade local.  O foco principal era o antigo matadouro municipal onde irá crescer o Centro de Artes e Criatividade, criando uma nova centralidade naquela zona. Através do desenho iriamos dar a conhecer as pessoas, o espaço e a arquitetura local antes de se iniciarem as obras nesta zona marginal da cidade, que cresceu fruto do desenvolvimento de bairros operários de habitação coletiva que respondiam à muita procura, provocada pelo forte crescimento das indústrias instaladas junto à linha-férrea.

A Residência Artística foi feita em conjunto com o António Procópio, o nosso trabalho complementou-se, enquanto eu me ocupei do lado mais humano, desenhando e falando com as pessoas, o António registou o lado da arquitetura, o espaço, a morfologia do local. Todos os meus desenhos completam-se com os dele.
Todos os desenhos têm histórias por trás, não são apenas retratos ou desenhos de espaços, havia sempre uma história para contar sobre a sua vida ou local onde viviam, alguém que passava e metia conversa contando histórias, chamando-nos para conhecer outros sítios ou pessoas, histórias que se cruzavam.
Foi muito interessante perceber a facilidade com que chegávamos às pessoas através do desenho, como nos convidavam literalmente a entrar em suas casas, para as desenharmos e ouvir as suas histórias.
Nós fomos o veículo da sua expressão, contando-nos os seus anseios, necessidades o que esperavam sobre o que iria acontecer.

Ficam aqui os desenhos que foram feitos ao longo dos 5 dias :)


A primeira paragem foi a loja do Sr. Cuxixo, local de passagem de muita gente e onde nós também passaríamos muitas vezes para tomar um café logo de manhã.



Os primeiros desenhos ainda foram um pouco a medo e a apalpar terreno. O André tinha preparado o terreno e fez-nos as apresentações, pelo que foi fácil começar os primeiros desenhos. A caneta com que desenhei o Sr. Mineiro não funcionou, pelo que tive de mudar de estratégia. 


Enquanto eu desenhava este jovem casal, o António desenhava o carro do Bruno, ficou cheio de orgulho e muito contente :) A Sra. prazeres é a mãe do Sr. Cuxixo.



A mesma caixa de correio dava para 6 portas, havia destas curiosidades na Encosta e demostrava muito bem a confusão do ordenamento.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Exposição "RIBEIRA E ENCOSTA - DESENHO DE RUA"

De 2 a 16 de Fevereiro estará patente na Sala de Exposições da Biblioteca Municipal de Torres Vedras, a exposição "RIBEIRA E ENCOSTA - DESENHO DE RUA" (ver link)
A exposição congrega um conjunto de desenhos realizados no âmbito de dois eventos culturais associados a processos de regeneração urbana: Ribeira Desenha (Ribeira, Natal/RN – Br), e Encosta – Desenho de Rua (Encosta de S. Vicente - Torres Vedras) em que estarão representados os trabalhos resultantes das residências artísticas aí realizadas e nas quais também participei

(ver álbum de fotos https://www.facebook.com/pg/Suzana-Nobre-Desenhos-1623882847826439/photos/?tab=album&album_id=1927689417445779 )



Desenhos de Jota Clewton e André Duarte Baptista

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Residência Artística em Caminha

No âmbito da iniciativa "Sketching com História", uma parceria entre a Comunidade Intermunicipal do Alto Minho e os USkP, propus-me a uma residência artística numa das localidades do Alto Minho e acabei por ficar em Caminha.

Caminha é uma vila raiana linda, banhada pela foz do rio Minho e com Espanha a assomar do outro lado. Encontrei por aqui muitos peregrinos, faziam a passagem pelo Caminho Português da Costa da rota de Santiago. Fui apanhada de surpresa com o frio com que esta localidade me recebeu, e os meus desenhos demorados contribuíram para que acabasse o dia sempre gelada!
Fiquei três dias mas nem por isso desenhei muito, fiquei sempre virada para o interior da vila e demorei-me nos pormenores que os edifícios e recantos das ruas tinham para oferecer.

Na manhã do primeiro dia demorei-me um pouco a conhecer a cidade e identificar locais para desenhar.


Já quase pela hora do almoço comecei o primeiro desenho no "Largo do Terreiro", uma praça central com demasiadas esplanadas mas bonita, com muitos pontos de interesse. Aqui neste desenho ficaram registados o chafariz, com a torre do relógio e parte do edifício dos Paços do Concelho ao fundo.


Sentada num cantinho da rua direita, dediquei-me a este pequeno largo, a bonita e grandiosa árvore chamou-me a atenção fazendo uma composição interessante com o edifício ao lado. Um senhor que haveria de encontrar mais vezes disse-me que esta árvore era muito antiga, já tinha para mais de 200 anos!


Tinha visto esta pequena capela no primeiro dia e achei-a linda para desenhar, estava sempre aberta. O interior é pequeno e muito escuro, a visão demora um pouco a adaptar-se mas depois descobre-se uma imensidão de santos nos seus pequenos altares.


Remonta ao séc. XV a igreja Matriz e estava programada para a tarde do segundo dia! Aqui percebi a frase " De Espanha, nem bons ventos nem bons casamentos", nomeadamente a parte dos ventos! Desenhei-a desde o topo da muralha que a envolvia na parte frontal e levantou-se um vento frio vindo de Norte que me fustigou o tempo todo! No final recolhi-me um pouco no interior para aquecer...! Do lado direito pode-se ver a grande árvore de 200 anos!


No terceiro dia Já tinha programado desenhar uma destas ruas com uma fileira de edifícios mais antigos, eram impossíveis de contornar, com as suas fachadas repletas de azulejos e os gradeamentos trabalhados das varandas. 

Demorei-me neste desenho à sombra e o senhor que me deu a informação da árvore, insistia comigo para que fosse para o sol pois ia apanhar uma bela gripe. Foi graças a ele que apareceram aqueles dois carros pintados pois estava decidida a deixa-os em branco - "Então mas ainda vai pinta-los, não vai? Assim parecem uns buracos!" - acho que ele tinha razão :)


Ao longo dos dias fui recolhendo alguns elementos que achei mais representativos de Caminha: os trabalhos de cantaria em granito, os azulejos com uns padrões lindos e muito variados e uma série de outros elementos como as placas toponímicas ou as indicações do Caminho de Santiago.